segunda-feira, novembro 17, 2003


Obrigado

Hoje fechei o peito de morte
E assim estive até que me resgataste,
Com uma simples pergunta, talvez mais afirmação…
Porque viste e entendeste tudo o que sentia,
Aquele olhar perdido.

domingo, novembro 16, 2003

Mãe do Mundo

Esta podia ser a Mãe do Mundo,
A que traz a dor nos olhos
A esperança escrita na rugas do tempo
A certeza que por menos filhos que sejamos ela está sempre do nosso lado.
Passear
Passear numa tarde de Domingo
Com um livro debaixo do braço.
Andar sem destino e nada encontrar que nos pare
Sem nada que acompanhe as palavras,
Que sozinhas se desprendem e desaparecem no passado.
Passear numa tarde de Domingo
Com um livro por companhia,
Que vai connosco e já não volta como foi.

sábado, novembro 15, 2003

Amigos
Quis escrever sobre os meus amigos, dedicar a cada um post, mas por um estranho acaso sempre que tentei escrever fui sempre impedido de o fazer.
Assumo que há coisas que não se devem contrariar não estava destinado, e pronto.
Depois pensei que escrever sobre o que cada um de vocês é para mim era definir algo, parar no tempo um sentimento, e para mim vocês estão acima de qualquer definição, acima de qualquer tempo, acima de qualquer palavra.
O meu obrigado a todos os que eu considero meus, possessivamente admito, amigos.

segunda-feira, novembro 10, 2003

Encantos II

Não lhe conheço todos os filmes, não me pronuncio quanto à sua arte mas tenho uma admiração quase platónica por ela.
The Smiths
There Is A Light That Never Goes Out

Falar deles é falar de mim, é sentir em tudo o que sou ou faço os ecos das letras na minha vida, falar deles é dizer que me marcaram, me deixaram por muitos e muitos anos a pensar…Falar deles é um misto de admiração e encantamento juvenil que se prolonga para a minha vida adulta e adquire cada vez mais sentido à medida que os anos passam. Falar deles é invocar os tempos de preto vestido sem concessões, é invocar os sapatos que ainda tenho e uso, falar deles é deixar-me fascinar pelo triste e belo.
Falar deles é falar de Manchester e do sonho de viajar para lá e sentir saudades de uma viagem que nunca faria por estar fora do tempo certo.
Falar deles é falar do meu álbum de vinil preferido comprado em Lisboa numa loja de discos no Arieiro um ano depois de terem acabado.
Falar deles é tão bom, ouvi-los continua a ser muito melhor.
Falar deles dá vontade de colocar aqui as letras todas, aquelas que me fizeram crescer antes de tempo, as que me fizeram amanhecer triste e nunca mais voltar a sentir alegria numa manhã do mundo, sem que isso me perturbe.
Não falar deles num sítio onde falo de mim seria não falar de todo.


Take me out tonight
Where there's music and there's people
And they're young and alive
Driving in your car
I never never want to go home
Because I haven't got one
Anymore

Take me out tonight
Because I want to see people and I
Want to see life
Driving in your car
Oh, please don't drop me home
Because it's not my home, it's their
Home, and I'm welcome no more

And if a double-decker bus
Crashes into us
To die by your side
Is such a heavenly way to die
And if a ten-ton truck
Kills the both of us
To die by your side
Well, the pleasure - the privilege is mine

Take me out tonight
Take me anywhere, I don't care
I don't care, I don't care
And in the darkened underpass
I thought Oh God, my chance has come at last
(But then a strange fear gripped me and I
Just couldn't ask)

Take me out tonight
Oh, take me anywhere, I don't care
I don't care, I don't care
Driving in your car
I never never want to go home
Because I haven't got one, da ...
Oh, I haven't got one

And if a double-decker bus
Crashes into us
To die by your side
Is such a heavenly way to die
And if a ten-ton truck
Kills the both of us
To die by your side
Well, the pleasure - the privilege is mine

Oh, There Is A Light And It Never Goes Out
There Is A Light And It Never Goes Out

domingo, novembro 09, 2003

"The Majority rules only those who let them"
Trata-se de um exercício arriscado mas que para mim faz todo o sentido, a frase é de uma publicidade aos meus sapatos preferidos, o poema esse é do meu poeta preferido, as conclusões do que sair são para quem se preocupa com isso, eu não...

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.


Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!
Cantico Negro - José Régio
Escolhas
Esta ficou-me para a vida
Encantos I

Há poetas que nos trazem tanta coisa que por mais que se queira agradecer tal nunca é possível.
Este trouxe a Poesia e juntou a musica para me encantar

Mas pra que
Pra que tanto céu
Pra que tanto mar,
Pra que
De que serve esta onda que quebra
E o vento da tarde
De que serve a tarde
Inútil paisagem
Pode ser
Que não venhas mais
Que não venhas nunca mais
De que servem as flores que nascem
Pelo caminho
Se o meu caminho
Sozinho é nada
É nada

sexta-feira, novembro 07, 2003


Acreditar

Sigo caminhos que não são meus
Passo por veredas que não conheço
Arrisco espreitar alem da duna
Morro se a seguir estiver o nada