"As palavras são, tantas vezes, feitas daquilo que significamos"
Antídoto
José Luís Peixoto
domingo, dezembro 14, 2003
Fragmentos #13 Porque procuram os meus olhos os teus,
Se não sei mais que o teu nome.
Porque reparo na tua voz,
Se ela nunca me deu mais que um olá.
Porque me sinto envergonhado,
Se nem te conheço ou falo contigo.
sexta-feira, dezembro 12, 2003
Fragmentos # 12
Magoam os silêncio, ofendem as meias verdades e as falsas promessas, a verdade cruel continua a ser preferível á mentira piedosa.
Fragmentos #11
José Régio apareceu na minha vida , na parte de trás de um livro, por um excerto do Cântico Negro, a identificação foi como que imediata , eu não sabia para onde ia , sabia que não queria ir para onde todos esperavam que fosse, a inconformidade o desassossego que esse poema me provocou ainda hoje perdura.
Régio é um poeta que surge numa altura difícil eu acredito que há coisas aparecem quando mais necessitamos, e Régio surgiu para me acordar para um por em causa e não me conformar na altura em que aparentemente tudo já estava decidido tudo já se encontrava estabelecido e estável, não foi o único houve mais coisas e pessoas que nessa altura surgiram na minha vida. Ás vezes precisamos de repensar tudo, de reformular, não encarar projectos de vida como fechados e em fase de finalização, ás vezes a insatisfação e a inquietude são os tónicos necessários para redescobrir a vida como tem que ser vivida.
quinta-feira, dezembro 11, 2003
Fragmentos #10
Sempre a admirei, sempre gostei desta música, sempre adorei este poema.
Marlene Dietrich's Favourite Poem
My mother loved it so she said
Sad eyed pearl and drop lips
Glancing pierce through writer man
Spoke hushed and frailing hips
Her old eyes skim in creasing lids
A tear falls as she describes
Approaching death with a yearning heart
With pride and no despise
Hot tears flow as she recounts
Her favourite worded token
Forgive me please for hurting so
Don't go away heartbroken no
Don't go away heartbroken no
Just wise owl tones no velvet lies
Crush her velvet call
Oh Marlene suffer all the fools
Who write you on the wall
And hold your tongue about your life
Or dead hands will change the plot
Will make your loving sound like snakes
Like you were never hot
Hot tears flow as she recounts
Her favourite worded token
Forgive me please for hurting so
My mother loved it so she said
Sad eyed pearl and drop lips yeah
Glancing pierce through writer man
Spoke hushed and frailing lips yeah
Old eyes skim in creasing lids
A tear falls as she describes
Approaching death with a yearning heart
With pride and no despise
Hot tears flow as she recounts
Her favourite worded token
Forgive me please for hurting so
Peter Murphy - Deep
quarta-feira, dezembro 10, 2003
Fragmentos #9 Os meus olhos não foram entendidos correctamente, fizeram o que eu não queria.
segunda-feira, dezembro 08, 2003
Fragmentos #8 Tenho saudades das tardes de chuva na Foz, dos cafés à beira mar, e tudo aquilo que me faz gostar da praia na altura que todos fogem dela.
Mar
Mar, metade da minha alma é feita de maresia
Pois é pela mesma inquietação e nostalgia,
Que há no vasto clamor da maré cheia,
Que nunca nenhum bem me satisfez.
E é porque as tuas ondas desfeitas pela areia
Mais fortes se levantam outra vez,
Que após cada queda caminho para a vida,
Por uma nova ilusão entontecida.
E se vou dizendo aos astros o meu mal
É porque também tu revoltado e teatral
Fazes soar a tua dor pelas alturas.
E se antes de tudo odeio e fujo
O que é impuro, profano e sujo,
É só porque as tuas ondas são puras.
Fragmentos #7 Ontem recordei com comoção os meus circos de Natal,
O acordar cedo e ir a Lisboa, a chuva na manhã de Sábado, o cheiro que o Coliseu dos Recreios tinha à entrada, cheiro a Algodão Doce, com tantos meninos como eu com toneladas de roupa para o frio, a confusão que era e as prendas que recebia do Banco para onde o meu pai trabalhava.
Mas mais fantástico ainda ficou para sempre na memória infantil a actuação dos Malabaristas, Trapezistas, dos corajoso domadores de Leões e dos Palhaços... esses seres fantásticos que me fizeram rir e me levaram a sonhar, foi ai que ganhei o respeito que tenho pelos palhaços, dai nunca me chatear quando me chamam de palhaço, isso quer dizer que um dia vou acordar e vestir um casaco vermelho, por um cabelo laranja, um chapéu com uma pena e umas meias de arco íris, calçar uns sapatos enorme e por na lapela uma flor que esguicha água para aqueles que me aborreçam e fazer sonhar e rir meninos como eu já fui.
segunda-feira, dezembro 01, 2003
Fragmentos #6 Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Escrever, por exemplo: “A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros, ao longe”.
O vento da noite gira no céu e canta.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu a quis, e às vezes ela também me quis...
Em noites como esta eu a tive entre os meus braços.
A beijei tantas vezes debaixo o céu infinito.
Ela me quis, às vezes eu também a queria.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que a perdi.
Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como na relva o orvalho.
Que importa que meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.
Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
Minha alma não se contenta com tê-la perdido.
Como para aproximá-la meu olhar a procura.
Meu coração a procura, e ela não está comigo
A mesma noite que faz branquear as mesmas árvores.
Nós, os de então, já não somos os mesmos.
Já não a quero, é verdade, mas quanto a quis.
Minha voz procurava o vento para tocar o seu ouvido.
De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
Sua voz, seu corpo claro. Seus olhos infinitos.
Já não a quero, é verdade, mas talvez a quero.
É tão curto o amor, e é tão longo o esquecimento.
Porque em noites como esta eu a tive entre os meus braços,
minha alma não se contenta com tê-la perdido.
Ainda que esta seja a última dor que ela me causa,
e estes, os últimos versos que lhe escrevo.
Pablo Neruda - Poema 20
Fragmentos #5 Nas manhãs mais cinzentas
Viajo com esperança no coração
De ver-te num vislumbre.
No meio do nevoeiro na terra do passado e futuro