quarta-feira, maio 12, 2004

Fragmentos #101
Lembra-te

Lembra-te
que todos os momentos
que nos coroaram
todas as estradas
radiosas que abrimos
irão achando sem fim
seu ansioso lugar
seu botão de florir
o horizonte
e que dessa procura
extenuante e precisa
não teremos sinal
senão o de saber
que irá por onde fomos
um para o outro
vividos

Mário Cesariny
Adição
Bosque da Robina

terça-feira, maio 11, 2004

Fragmentos #100

Há dias em que só me apetece escrever mesmo que as palavras não sejam minhas, mesmo que aqui coloque as maiores asneiras ou as ideias mais brilhantes , de onde me vem esta febre e de onde vem o oposto ?
Coisas de Silêncio


Duarte Belo, Ruy Belo, Rute Figueiredo Editor: Assírio & Alvim 2000

Talvez faça parte do livro que ainda não terminei de ler, pela falta que me vai fazer quando virar a ultima página, se há livros que apetece que o escritor venha de noite acrescentar mais uma página este é um deles, de um grande poeta fotografado de forma a dar corpo as palavras
Este poema veio para aqui para agradecer a S.R. por me o ter emprestado, quase que prometo devolver rápido, não sei é se tenho essa coragem .

Mas que sei eu

Mas que sei eu das folhas no outono
ao vento vorazmente arremessadas
quando eu passo pelas madrugadas
tal como passaria qualquer dono?

Eu sei que é vão o vento e lento o sono
e acabam coisas mal principiadas
no ínvio precipício das geadas
que pressinto no meu fundo abandono

Nenhum súbito súbdito lamenta
a dor de assim passar que me atormenta
e me ergue no ar como outra folha
qualquer. Mas eu que sei destas manhãs?

As coisas vêm vão e são tão vãs
como este olhar que ignoro que me olha

Ruy Belo

segunda-feira, maio 10, 2004

Fragmentos # 99

I Don't Wanna Grow Up

When I'm lyin' in my bed at night
I don't wanna grow up
Nothin' ever seems to turn out right
I don't wanna grow up.
How do you move in a world of fog
That's always changing things
Makes me wish that I could be a dog
When I see the price that you pay
I don't wanna grown up
I don't ever wanna be that way
I don't wanna grow up.

Seems like folks turn into things
That they'd never want
The only thing to live for
Is today...
I'm gonna put a hole in my T.V. set
I don't wanna grow up
Open up the medicine chest
And I don't wanna grow up
I don't wanna have to shout it out
I don't want my hair to fall out
I don't wanna be filled with doubt
I don't wanna be a good boy scout
I don't wanna have to learn to count
I don't wanna have the biggest amount
I don't wanna grow up.

Well when I see my parents fight
I don't wanna grow up
They all go out and drinking all night
And I don't wanna grow up
I'd rather stay here in my room
Nothin' out there but sad and gloom
I don't wanna live in a big old tomb
On Grand Street

When I see the 5 o'clock news
I don't wanna grow up
Comb their hair and shine there shoes
I don't wanna grow up
Stay around in my old hometown
I don't wanna put no money down
I don't wanna get me a big old loan
Work them fingers to the bone
I don't wanna float a broom
Fall in love and get married then boom
How the hell did it get here so soon
I don't wanna grow up

(Tom Waits/K. Brennan)

sexta-feira, maio 07, 2004

Fragmentos # 98

Line and Verse # 116 Artist: Cynthia Holland

Curioso... há quem goste do que se tornou primeiro sangue, depois medo e por fim quase nada na minha face .
Fragmentos #97

Nomeei-te no meio dos meus sonhos
chamei por ti na minha solidão
troquei o céu azul pelos teus olhos
e o meu sólido chão pelo teu amor

Ruy Belo
Fragmentos #96

Silence - Artist: Pieter Van Hoof

"Somos a grande ilha do silêncio de Deus"

Ruy Belo

quinta-feira, maio 06, 2004

Fragmentos #95

Sei que é um lugar diferente com um ar diferente...com um nome que é quase um trava línguas, no cume do monte abre-se um pátio antigo com vista para a Lezíria, aos seus pés o Rio espalhasse por mouchões e suaves curvas desenhadas.
Naquele bosque por detrás da casa antiga onde a proprietária na parede assombra a sala como uma harpia, acampei muito, fui mil coisas diferentes romano, pirata, índio, aprendi a dar valor a quem como alquimista conjura frango e cebola azeite e alhos com sal sobre um fogo brando num caldeirão escuro, aprendi a dançar á volta de uma fogueira e a ver as noites escuras não com medo mas como um campo descobertas fantásticas. Infelizmente o local está destruído, na clareira onde os bancos estão revestidos de azulejo da Bordalo Pinheiro resta pouco orgulho aos grandes Eucaliptos que já não contemplam a presença do homem somente das folhas que se acumulam, Falta a vida a este local falta os risos e os ritos iniciáticos da juventude, falta a presença de Homem para voltar a ter sentido .

segunda-feira, maio 03, 2004

Parabéns Amiga!

Flamenco Dancer Artist: Pablo Schurig

Ela continua a vestir-se de vermelho , e o vermelho fica-lhe tão bem
Ela é sempre uma boa amiga, daquelas que nos dá vontade de fumar um cigarro antes de ir para casa e ter conversas ao som de bandas sonoras perfeitas para o momento.
Ela fez anos ontem.